Megaoperação nacional desmantela esquema bilionário do PCC infiltrado na economia formal

29/08/2025 16:12:00




Uma força-tarefa com mais de 1.400 agentes foi mobilizada nesta quinta-feira (28) para cumprir mandados de busca, apreensão e prisão em empresas ligadas ao setor de combustíveis e ao mercado financeiro. A ação teve como objetivo desarticular a atuação do Primeiro Comando da Capital (PCC) em negócios regulares da economia formal.


As operações, batizadas de Carbono Oculto, Quasar e Tank, ocorreram simultaneamente em dez estados brasileiros: São Paulo, Bahia, Goiás, Paraná, Rio Grande do Sul, Minas Gerais, Maranhão, Piauí, Rio de Janeiro e Tocantins. A Receita Federal participou com 350 auditores em campo.


Alvos e prisões


A operação identificou 41 pessoas físicas e 255 empresas como alvos. No Paraná, foram cumpridos 14 mandados de prisão preventiva, com seis pessoas presas até o momento. Em São Paulo, foram executados 12 mandados de busca e apreensão.


Esquema financeiro e bens apreendidos


Uma fintech investigada como peça central no esquema teria movimentado R$ 47 bilhões entre 2020 e 2024, fora do radar da Receita Federal. A Justiça autorizou o bloqueio de R$ 1,2 bilhão em ativos, além da apreensão de mais de R$ 300 mil em espécie, 141 veículos, 192 imóveis e duas embarcações. Outros 100 veículos foram sequestrados por ordem judicial.


Fundos de investimento e estrutura patrimonial


As investigações revelaram que 40 fundos de investimento estavam ligados ao crime organizado, com patrimônio estimado em R$ 30 bilhões. Foram bloqueados 21 fundos, administrados por três gestores que operavam com cotistas únicos ou empresas intermediárias.


Entre os bens adquiridos por meio desses fundos estão:


  • Um terminal portuário

  • Quatro usinas produtoras de álcool

  • Participações em outras duas usinas

  • Uma frota de 1.600 caminhões

  • Mais de 100 imóveis, incluindo seis fazendas avaliadas em R$ 31 milhões e uma residência de R$ 13 milhões


Impacto e próximos passos


As autoridades consideram essa a maior ofensiva já realizada contra a infiltração do crime organizado na economia formal. O esquema envolvia práticas como lavagem de dinheiro, fraude fiscal, adulteração de combustíveis e uso de fintechs para ocultação patrimonial.


As investigações continuam, com expectativa de novas autuações fiscais e desdobramentos judiciais. O caso reacende o debate sobre a vulnerabilidade de setores estratégicos diante da atuação de organizações criminosas sofisticadas.

Fonte: TEXTO JVA / Informações Redes Sociais / FOLHA

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