Delator liga lavagem de dinheiro a empresa do grupo Rodrimar, diz PF

10/07/2018 08:40:00
Comprovantes estão no inquérito que investiga se o presidente Michel Temer assinou decreto para beneficiar empresas do setor de portos

A Polícia Federal recebeu comprovantes de depósitos de uma empresa ligada à Rodrimar para um escritório de advocacia que, segundo um delator, lavou dinheiro para o MDB. Os comprovantes estão no inquérito que investiga se o presidente Michel Temer assinou um decreto para beneficiar empresas do setor de portos.



Os comprovantes de recebimento e de transferência de recursos do escritório do advogado Flávio Calazans foram entregues à Polícia Federal pela Procuradoria-Geral da República.

Foram dez depósitos feitos pela empresa Pérola, do grupo Rodrimar, de junho de 2014 a março de 2015. Segundo investigadores, os depósitos eram pagamentos previstos em contratos fictícios entre o escritório de Flávio Calazans e a empresa Pérola.

A Rodrimar atua no Porto de Santos e é suspeita de pagar propina em troca de um decreto assinado pelo presidente Michel Temer.

Os documentos fazem parte da delação do advogado Flávio Calazans. Ao detalhar como funcionava o esquema, ele afirmou que o escritório dele serviu como uma espécie de centro de lavagem de dinheiro para Milton Lyra, apontado como operador do MDB.

Lyra é citado em delações por causa da relação com políticos. Em abril, chegou a ser preso na operação da Polícia Federal que investiga prejuízos no Postalis, o fundo de pensão dos Correios.

Segundo Calazans, depois que os depósitos entravam na conta do escritório dele, eram feitas transferências para empresas indicadas por Victor Colavitti e Rodrigo Britto, que, segundo Calazans, trabalhavam para Milton Lyra.

Flávio Calazans disse que existia uma conta corrente de operações entre ele, Victor Colavitti e Rodrigo Britto.

As dez transferências mensais foram de R$ 37.500 cada uma.

Flávio Calazans contou ainda que 90% das operações feitas por Victor e Rodrigo eram operações para Milton Lyra e que era preciso “gerar caixa”, por isso, o dinheiro entrava na conta do escritório e a maior parte dele era devolvida às contas indicadas por Victor e Rodrigo.

O que dizem os citados
A Rodrimar afirmou que não é controladora nem participa da gestão da Pérola; que estranha e lamenta ser citada na reportagem; e que há uma campanha contra a empresa.

A defesa de Milton Lyra declarou que ele jamais teve qualquer relação com a Pérola ou com a Rodrimar e que todas as suas operações foram comprovadas e apresentadas às autoridades.

A defesa de Rodrigo Britto declarou que as acusações são falsas e que ele nunca trabalhou para Milton Lyra.

A assessoria do Palácio do Planalto, o MDB, e o advogado de Victor Colavitti não quiseram comentar.

Fonte: G1 globo

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