Argentina finalizou 73 vezes desde último gol e tem seu pior ataque nas eliminatórias

06/10/2017 10:35:00
Falta de pontaria tem sido principal problema do time de Sampaoli, que até agora só comemorou um gol em jogo oficial, contra. Ataque só não é pior que o da Bolívia

Desde o minuto 15 do primeiro tempo da vitória por 1 a 0 da Argentina contra o Chile, na 13ª rodada das eliminatórias, há sete meses e meio, um jogador argentino não balança as redes por um jogo oficial. Naquele instante, Messi fazia, de pênalti, o gol daquele triunfo. Mas não é por falta de tentativas que a seca argentina persiste. Foram 73 finalizações de lá para cá. Nenhum gol. O único que marcou pela Argentina no período foi o lateral Feltscher, da... Venezuela.

O dado explica muito o drama que o país vive para tentar ir à Rússia no ano que vem. É uma realidade que se intensificou com Sampaoli à frente da equipe e chegou ao nível máximo nesta quinta-feira, no empate por 0 a 0 com o Peru. Na Bombonera, a Albiceleste chutou 22 vezes ao gol. Acertou a direção seis vezes, mas não balançou as redes. Os dados são da empresa de estatísticas, Opta. Mas o técnico argentino prefere ver a metade cheia do copo. Vê a alta produtividade do time como um indício de que estão no caminho certo.


– Estamos vendo uma seleção muito contundente no que busca e encontra em cada jogo. Essa é a defesa de uma ideia de protagonismo e superioridade que guia a Argentina em cada encontro. Nos enche de otimismo saber que na última partida que temos que ganhar para a classificação está em quatro dias e estamos bem, apesar de que o resultado seja diferente do que estou dizendo – avaliou Sampaoli, reconhecendo no fim que falta o principal: o gol.

A falta de pontaria é um problema. Das 73 finalizações realizadas pela Argentina desde o gol de Messi diante dos chilenos, apenas 21 tomaram o rumo do gol, ou seja, 28%. Sampaoli ainda não viu um jogador sob seu comando marcar pelas eliminatórias. Ele lamenta a situação, mas reconhece que é difícil seguir tudo como foi planejado.

– Há que ter desenvoltura para garantir que, em partidas como essas, temos que ganhar. O futebol às vezes te tira, e às vezes você ganha com mais ou menos merecimento.


Ataque só não é pior que o da Bolívia

A Argentina tem os artilheiros dos Campeonatos Italiano, Espanhol e Argentino. Tem o jogador eleito cinco vezes melhor do mundo. Mas não consegue superar a Venezuela em número de gols nas eliminatórias. Com 16 gols, os argentinos só não estão piores que a vice-lanterna Bolívia. A última colocada Venezuela tem 18 gols e está à frente dos Hermanos. A média é de menos de um gol por jogo.

O número é histórico para a Argentina, que tem seu pior ataque desde que as eliminatórias assumiram o atual formato, na Copa de 1998. Antes, o pior desempenho havia sido nos torneios qualificatórios para os Mundiais de 2010 e 1998, quando marcou 23 gols. E ainda há a ressalva de que, para a Copa da França, houve apenas 16 jogos – na ocasião, o campeão do mundo não participava das eliminatórias, e o Brasil ficou fora.

 

E se faltam gols e sobram finalizações, há sinal de um problema: o camisa 9. Sampaoli utilizou Higuaín apenas no primeiro tempo do amistoso contra o Brasil, na Austrália. O atacante da Juve não tem prestígio com o treinador. Diante do Uruguai e Venezuela, Icardi assumiu o posto. Nesta quinta, o goleador do Boca Juniors, Benedetto, ganhou a chance – mesmo que vista a camisa 7. Há escassez de artilheiros para um país que teve recentemente Crespo e Batistuta? Para o Sampaoli, a questão é outra. Ele mesmo.

– São dois grandes goleadores (Icardi e Benedetto) porque isso indica a história recente deles. Temos que ter sabedoria para que tenham contundência e tranquilidade para realizar seus trabalhos. E essa é minha responsabilidade.

Com 25 pontos, a Argentina tem o trunfo do confronto entre Peru e Colômbia na última rodada. A Colômbia é a quarta, com 26 pontos, e o Peru tem 25, em quinto. Caso vençam, os argentinos garantem, ao menos, a repescagem. A última rodada das eliminatórias será na próxima terça-feira. A Argentina vai a Quito e enfrenta o Equador. Todos os jogos serão às 20h30.

Fonte: GE

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