Assalto em Criciúma: policial militar baleado deixa hospital após dois meses internado

06/02/2021 09:36:00
Soldado de 32 anos seguirá com tratamento médico em casa. Assaltantes queimaram caminhão, atiraram para o alto, fizeram reféns e fugiram com milhões de reais no fim de novembro.

Mais de dois meses após ser ferido com tiros durante um assalto a uma agência bancária em Criciúma, no Sul de Santa Catarina, o policial militar Jeferson Luiz Esmeraldino deixou o hospital. A informação foi divulgada na noite desta sexta-feira (5) pela Polícia Militar.

 

O soldado de 32 anos deve continuar recebendo cuidados médicos em casa. "Seguirá o tratamento sob os cuidados de uma equipe médica especializada em atendimento domiciliar, e acompanhado de seus familiares", informou em nota o coronel Evandro Fraga, responsável pela 6º Região da PM.


Há um mês, Esmeraldino tinha saído da unidade de terapia intensiva (UTI) do hospital de Criciúma e seguia com aparelho de ventilação. Ele recebeu alta hospitalar na tarde desta sexta. A polícia não detalhou o quadro de saúde do policial.


O soldado foi atingido na região do abdômen durante uma troca de tiros com criminosos envolvidos no assalto entre a noite de 30 de novembro e madrugada do dia 1º de dezembro na cidade do Sul do estado.


A viatura policial se deslocava para atender a ocorrência e encontrou um dos veículos dos criminosos no caminho e houve troca de tiros, próximo a um shopping da cidade.


Dias após a internação, amigos de corporação mobilizaram uma campanha de doação de sangue para ajudar o companheiro que precisou passar por cirurgias.


Assalto em Criciúma


As investigações seguem em andamento, informou o delegado Luis Felipe Fuentes, diretor da Diretoria Estadual de Investigações Criminais (Deic) ao G1 na noite desta sexta-feira (5). Foram 14 suspeitos detidos e poucos mais de R$ 1 milhão recuperados.


Por volta das 23h50 de 30 de novembro, cerca de 30 pessoas assaltaram a tesouraria regional do Banco do Brasil em Criciúma. A ação durou 1 hora e 45 minutos. Pessoas foram feitas reféns. As autoridades de Santa Catarina afirmam que este foi o maior assalto da história do estado. Os criminosos queimaram um caminhão, atiraram para o alto com armas pesadas e fugiram levando R$ 80 milhões.


Criciúma é a mais importante cidade do Sul catarinense. Ela tem 217.311 habitantes, segundo estimativa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o que a torna o quinto maior município do estado.


Reféns


Sérgio Eduardo Firme foi um dos seis trabalhadores da Prefeitura de Criciúma que foram feitos reféns. Junto com os colegas de trabalho que pintavam a sinalização nas ruas da cidade, o homem foi abordado pelo grupo encapuzado.


"A gente sentou naquela faixa, conversou, a gente rezou, a gente fumou uma carteira de cigarros em 20 minutos, eu e outro rapaz. Foi apavorante", disse Sérgio.


Um vigilante que trabalhava no Centro naquela noite também foi feito refém. Ele não quis se identificar, mas contou que "Pensava às vezes que ia morrer".


Investigação


As investigações para encontrar todos os responsáveis pelo assalto continuam. Polícia Civil e Instituto Geral de Perícias não dão detalhes porque tudo está em sigilo.


Pelo menos 14 suspeitos de envolvimento foram presos. Contudo, não foram divulgadas identidades ou as circunstâncias das prisões com o objetivo de não atrapalhar a investigação.


Segundo o delegado Anselmo Cruz, titular da Delegacia de Roubos e Antissequestro da Diretoria Estadual de Investigações Criminais de Santa Catarina, cerca de R$ 80 milhões foram levados pelo grupo. Parte desse valor foi recuperado no mesmo dia, quando algumas notas ficaram espalhadas pelas ruas após o ataque dos criminosos.


Só na rua, a polícia recolheu cerca R$ 300 mil. Além disso, quatro homens foram detidos por furtarem as cédulas abandonadas pelos criminosos. Eles estavam com cerca de R$ 810 mil.


Em 1º de dezembro, a polícia encontrou 10 carros utilizados pelos criminosos. Os veículos estavam em um milharal em Nova Veneza, cidade vizinha, e eram de "alta potência e grande valor comercial", segundo o delegado Vitor Bianco.


Um galpão usado para a pintura desses veículos foi encontrado em 2 de dezembro. O local fica em Içara, também cidade vizinha a Criciúma.


O que se sabe do assalto:


- Cerca de 30 pessoas encapuzadas assaltaram uma agência do Banco do Brasil no Centro de Criciúma às 23h50 de 30 de novembro. A ação durou 1 hora e 45 minutos.

- Pessoas foram feitas reféns e cercadas por criminosos; houve bloqueios e barreiras para conter a chegada da polícia.

- Um PM ficou ferido e precisou passar por cirurgias.

- Criminosos fugiram, e parte do dinheiro ficou espalhada pelas ruas.

- Quatro moradores foram detidos após recolherem R$ 810 mil que ficaram jogados no chão devido à explosão durante o assalto.

- Criminosos também deixaram 30 quilos de explosivos para trás. Polícia não sabe o total utilizado.

- 10 carros usados no assalto foram apreendidos em um milharal de uma propriedade privada em Nova Veneza, a noroeste de Criciúma.

- A PM acredita, baseada em manchas de sangue encontradas nesses veículos, que pelo menos dois criminosos tenham se ferido.

- Em nota, o Banco do Brasil disse que funcionários não foram feridos e que não informa "valores subtraídos durante ataque às suas dependências".

- As autoridades de Santa Catarina afirmam que este foi o maior assalto da história do estado.

Fonte: G1 SANTA CATARINA

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