Um mês após enxurradas no Vale do Itajaí, cidades ainda têm entulhos, lama e prejuízos

18/01/2021 08:41:00
Chuva forte provocou a morte de 21 pessoas em três municípios em dezembro.

As enxurradas no Vale do Itajaí que provocaram 21 mortes completaram um mês. As três cidades mais atingidas ainda seguem tomada pela lama, entulho, casas destruídas e luto. Os maiores prejuízos e sinais da destruição ficam em Presidente Getúlio, no bairro Revólver. Após a tragédia, entre os dias 16 e 17 de dezembro, os moradores seguem com os trabalhos de limpeza e reconstrução.

 

Das três cidades do Vale castigadas pelo fenômeno, apenas Rio do Sul e Ibirama já liberaram o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para os moradores afetados. A Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil reconheceu o estado de calamidade pública desses três municípios.


Presidente Getúlio


O prefeito de Presidente Getúlio, Nelson Virtuoso, calcula que 90% das limpezas nas ruas foram concluídas, mas os serviços de reconstrução devem durar ao menos um ano. No município foram registradas 18 mortes.


"A reconstrução é lenta. O prejuízo em Presidente Getúlio ultrapassou os R$ 50 milhões", disse o prefeito.


Foram 38 casas e 35 pontes completamente destruídas, 80 residências danificadas, 14 mil metros quadrados de pavimentação, tubulações entupidas ou arrancadas pela força da água, espaços como escolas e unidades de saúde tomados pela lama e veículos municipais totalmente danificados.


Os moradores que tiveram as casas destruídas pela enxurrada em Presidente Getúlio estão morando com parentes ou foram casas alugadas. A administração municipal ainda tenta, junto à Caixa Econômica Federal, conseguir que todos os habitantes com saldo disponível recebam o dinheiro.


A escola que abriga as doações voltará a receber estudantes no próximo mês. As creches inundadas de lodo também. Na Defesa Civil municipal há um funcionário. São os engenheiros da Secretaria de Planejamento que ajudam na avaliação das condições dos terrenos para retorno ou não dos moradores.


A ajuda que veio de outros municípios e até estados já foi suspensa e atualmente 60 funcionários e públicos municipais, das Secretarias de Obras e Agricultura e do Saate, atuam diretamente na limpeza de ruas e recuperação de estradas, pontes, bueiros e tubulações.


Na Educação, aproximadamente 50 servidores de unidades educacionais não atingidas, atuam na Escpça Tancredo Neves e Ginásio de Esportes Pereirão. Eles fazem a recepção, triagem e distribuição das doações.


Para minimizar o impacto, o governo do Estado oferece linhas de crédito de R$ 30 mil a R$ 200 mil a juro zero. O Recomeça SC disponibilizará R$ 30 milhões aos empreendedores atingidos pela tragédia nas três cidades do Alto Vale.


Ibirama


Em Ibirama, onde uma pessoa morreu e 235 famílias foram atingidas, ainda tem gente fora de casa. Ao menos 50 pessoas continuam desalojadas e o custo pra recuperar tudo chega a R$ 32 milhões.


A partir de segunda-feira (18), os moradores de Ibirama que foram afetados diretamente pela enxurrada e podem resgatar o Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS).


Segundo a prefeitura, diversas frentes de trabalho estão espalhadas pelo município fazendo a retirada de entulhos e a recuperação de espaços públicos. São três empresas contratadas, com dezenas de caminhões, escavadeiras e outros equipamentos realizando serviços de desassoreamento e recomposição de valas e ribeirões, desobstrução de redes de drenagem, reconstrução de pontes e recuperação das estradas vicinais.


De acordo com o prefeito de Ibirama, Adriano Poffo, o trabalho pode durar até seis meses. Os recursos encaminhados até o momento pela Secretaria Nacional de Defesa Civil, por meio do Ministério do Desenvolvimento Regional, do Governo Federal, somam R$ 10.544.241,47.


A Coordenadoria Municipal de Defesa Civil de Ibirama atendeu 52 ocorrências de movimentação de terra, o que exigiu a contratação de uma equipe terceirizada especializada na área de geologia.


Rio do Sul


Os entulhos da enxurrada ainda estão por todas as partes no bairro Valada São Paulo, comunidade mais atingido em Rio do Sul, por causa da elevação do nível do Ribeirão Cobras. A força da correnteza destruiu oito residências e outras 35 tiveram danos parciais.


Duas pessoas morreram ao serem arrastadas pela correnteza. Outras regiões da cidade também foram atingidas como os bairros Santa Rita, Pamplona, Taboão, Barra do Trombudo, Centro e Albertina.


De acordo com a prefeitura, 17 das 22 pontes que tiveram algum tipo de dano já foram consertadas. Das 26 ruas danificadas várias já foram consertadas. Oito delas precisam de uma intervenção maior realizada por empreiteiras, pelo estrago ter sido maior do que o que a Secretaria de Obras da prefeitura consegue realizar.


Com recursos assegurados através de repasse emergencial de R$ 3,4 milhões da Secretaria Nacional de Defesa Civil, estas obras devem ser feitas ainda no primeiro semestre. Nenhuma das ruas atingidas está interditada. A verba também será destinado para a desobstrução de redes de drenagem no município, pavimentação de ruas e a desobstrução do ribeirão.


Com a verba destinada do governo estadual de R$ 5,5 milhões será usado para a construção de um muro de contenção em uma rua que liga Rio do Sul a Lontras. Com a chuva, parte da estrada deslizou e há risco eminente de novos problemas no local.


Como ajudar


A indicação é que interessados em ajudar entrem primeiro em contato com o Centro de Referência de Assistência Social de Presidente Getúlio pelo 47 3352-2148.

Fonte: G1 SANTA CATARINA

Imagens


  • Autor: Foto: Luis Souza/ NSC TV