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Veja falas de Bolsonaro na reunião em que Moro apontou interferência política na PF

22/05/2020 17:40:00
Advocacia-Geral da União respondeu ao STF sobre sigilo do vídeo da reunião ministerial do dia 22 e defendeu divulgação somente das falas de Bolsonaro e não as dos demais participantes.

A manifestação da Advocacia-Geral da União entregue nesta quinta-feira (14) ao Supremo Tribunal Federal mostra que o presidente Jair Bolsonaro reclamou da falta de informações da Polícia Federal, durante reunião ministerial, e afirmou que iria "interferir". A declaração transcrita parcialmente pelo governo, no entanto, não deixa claro como ele faria isso.

 

Em parecer enviado ao Supremo, a AGU se manifestou a favor da retirada do sigilo do vídeo da reunião ministerial do último dia 22 de abril, mas somente dos trechos em que há intervenções do presidente Jair Bolsonaro. Em relação às intervenções dos demais participantes da reunião, a AGU propõe não divulgar.


O documento mostra ainda que Bolsonaro afirmou que não iria esperar "f." alguém da família ou amigo dele para trocar a "segurança" no Rio.


Esse encontro, realizado no dia 22 de abril, é apontado pelo ex-ministro Sergio Moro como prova de que Bolsonaro tentou interferir na autonomia da Polícia Federal. O fato é investigado em inquérito no STF.


Logo no inicio do documento, a AGU deixa claro que as falas do presidente não estão no mesmo contexto – são separadas pela sequência da reunião.


"Em verdade, de pronto, o seguinte esclarecimento preliminar é essencial: as declarações presidenciais com alguma pertinência NÃO estão no mesmo contexto, muitíssimo pelo contrário: estão elas temporal e radicalmente afastadas na própria sequência cronológica da reunião".


Em um dos trechos, Bolsonaro se diz surpreendido por notícias divulgadas pela imprensa porque não recebe informações de organismos oficiais. Nesse ponto, ele menciona a Polícia Federal – no último dia 12, o presidente afirmou que não tinham sido pronunciadas na reunião as expressões 'Polícia Federal' e 'superintendência'.


"Eu não posso ser surpreendido com notícias. Pô, eu tenho a PF que não me dá informações; eu tenho as inteligências das Forças Armadas que não têm informações; a Abin tem os seus problemas, tem algumas informações, só não tem mais porque tá faltando realmente… temos problemas… aparelhamento, etc. A gente não pode viver sem informação."


Em outro trecho, Bolsonaro compara a necessidade que ele tem de informações com a de um pai que tenta evitar que a filha engravide precocemente.


"Quem é que nunca ficou atrás da… da… da.. porta ouvindo o que o seu filho ou sua filha tá comentando? Tem que ver pra depois... depois que ela engravida não adianta falar com ela mais. Tem que ver antes. Depois que o moleque encheu os cornos de droga, não adianta mais falar com ele: já era. E informação é assim. [referências a Nações amigas]. Então essa é a preocupação que temos que ter: a "questão estratégia". E não estamos tendo."


O presidente também critica o serviço de informações do governo:


"E me desculpe o serviço de informação nosso - todos - é uma vergonha, uma vergonha, que eu não sou informado, e não dá pra trabalhar assim, fica difícil. Por isso, vou interferir. Ponto final. Não é ameaça, não é extrapolação da minha parte. É uma verdade (...)"


Em outro ponto citado pela AGU no documento, o presidente Jair Bolsonaro faz uma menção à "segurança no Rio de Janeiro".


"Já tentei trocar gente da segurança nossa no Rio de Janeiro e oficialmente não consegui. Isso acabou. Eu não vou esperar f**** minha família toda de sacanagem, ou amigo meu, porque eu não posso trocar alguém da segurança na ponta da linha que pertence à estrutura. Vai trocar. Se não puder trocar, troca o chefe dele. Se não puder trocar o chefe. Troca o ministro. E ponto final. Não estamos aqui para brincadeira (...)"


Essa fala, segundo o governo, foi introduzida após Bolsonaro citar que saiu na imprensa que seu irmão teria estado sem máscara em um açougue de Registro (SP), o que ficou demonstrado que não era verdade.


Em relação a esse trecho, o governo faz explicacões do contexto e reforça a linha de defesa que Bolsonaro tem lançado. A AGU argumenta que é preciso lembrar que a segurança presidencial é feita pelo Gabinete de Segurança Institucional, que tem competência para zelar, assegurado o poder de polícia, pela segurança pessoal do presidente, bem assim, dos familiares do presidente.


Diferente de Moro, o governo afirma que em nenhum momento o presidente menciona ou refere-se direta ou indiretamente a superintendente, diretor geral ou PF.


AGU diz que é equivocado afirmar que o presidente teria admitido “no mesmo contexto sua insatisfação com a informação e no que ele denomina relatório de inteligência”.


“Se houve manifestação de alguma insatisfação, ocorreu ela muito antes, em contexto completamente diverso, de modo meramente exemplificativo, rigorosamente genérico, tanto que aquela outra fala, cinquenta minutos antes, em seu contexto próprio, é concluída do seuinte modo: serviço de informação nosso - todos - é uma vergonha”, diz a AGU.


Ao defender a restrição da divulgação de todo o conteúdo da reunião, o govermo afirmou ao STF que vários ministérios se manifestaram durante o encontro, como Justiça, então ocupado por Moro, Saúde, Infraestrutura, Turismo, além do BNDES, Caixa e Banco Central.


“Todos eles discorrem sobre os assuntos mais diversos, inclusive, sobre políticas públicas em cogitação,seja como for, assuntos absolutamente estranhos ao objeto do presente inquérito, e alguns bastante sensíveis, aí incluídas análises e opiniões, pela ordem da autoridade monetária e do ministro das Relações Exteriores”.

Fonte: G1

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