Catarinense morto em incêndio no CT do Flamengo treinou até semana passada em Indaial

08/02/2019 18:38:00
Bernardo Pisetta, 14 anos, havia retornado ao Rio de Janeiro na segunda-feira

A sexta-feira é de tristeza em Indaial. Entre as vítimas do incêndio no Centro de Treinamento do Flamengo, no Rio de Janeiro, está um jovem atleta que já começava a ser motivo de orgulho para a cidade. Bernardo Pisetta, 14 anos, era goleiro da categoria de base do Flamengo e está entre as 10 vítimas fatais do incêndio confirmadas pelo Corpo de Bombeiros.

Bernardo havia matado as saudades de casa há pouco tempo. Passou as férias em Indaial. Treinou por três semanas com o ex-goleiro e hoje supervisor da Fundação Municipal de Esportes da cidade, Elton John Cavali da Silva, para manter a condição física antes de se reapresentar ao Flamengo.


Na sexta-feira passada deveria haver o último treino. Mas Elton decidiu dar folga e sugeriu que Bernardo aproveitasse o tempo com amigos e a família, já que depois ficaria longe durante a temporada.

— Agora tudo passa pela nossa cabeça. Parece que eu sugeri a folga para que ele pudesse se despedir — conta o preparador.

No sábado, Bernardo assistiu e comemorou o título do time Cachorrões, no Torneio de Futsal de Indaial. Ainda em janeiro, foi ovacionado pela torcida ao ser anunciado no intervalo de um dos jogos da competição. Era com a camisa do Cachorrões, aliás, que ele gostava de treinar quando estava em Indaial.

— Domingo eu estive com ele,que ia para o RJ na segunda-feira e estava feliz. Esta semana, com a inauguração do novo CT, falou que eles iam na próxima semana para as instalações que eram dos profissionais. Segundo ele, uma estrutura melhor. Infelizmente, o sonho do nosso menino se encerrou nessa tragédia — recorda o primo Alexandre de Lima.

Na segunda-feira, Bernardo estava de volta ao Rio para o que deveria ser mais um ano de sonhos e evolução na carreira, mas que acabou abreviado pela tragédia desta sexta-feira. Era um garoto conhecido pela simplicidade e pela educação. “Um príncipe”, como define a recepcionista responsável pela matrícula dele no Colégio Adventista, onde o garoto estudou de 2014 a 2017.

Os ex-treinadores elogiam a formação dada pela família e o jeito humilde de Pisetta, que mesmo depois de ganhar espaço nas categorias de base de grandes clubes do país, continuava grato aos primeiros treinadores das quadras e gramados de Indaial.

Tímido, costumava só falar mais abertamente sobre as experiências nos gramados e as ambições de ser jogador quando perguntado. Os primeiros passos foram dados com o treinador Marinho. Em seguida, começou a jogar no campo da Associação Unidos, no bairro Tapajós, ao lado da escola em que a mãe trabalhava como professora.

Mesmo no sub-9, Bernardo já chamava a atenção pela altura e envergadura. À tarde, treinava futsal com o técnico Ruy Alexandre Pauli. Mas foi no gramado que ele seguiu chamando a atenção de olheiros. Logo conseguiu uma vaga no Athletico-PR. Em agosto do ano passado, veio o convite do Flamengo e realização precoce de jogar no time do coração já aos 14 anos. A conquista fez até o pai, Fluminense, vestir com orgulho a camisa rubro-negra.

- Todos vestiram a camisa do Bernardo - conta o primo Marcelo Lanznaster.

Depois do incêndio, o pai de Bernardo viajou ao Rio de Janeiro e mãe dele permaneceu na cidade, onde foi consolada por familiares. Ele era o mais jovem dos dois filhos do casal. Os ex-treinadores contam que o pai, representante comercial, sempre fez de tudo para dar ao garoto a estrutura e as condições para continuar brilhando no esporte.

Na escola em que Bernardo estudou, um laço preto foi colocado em uma sexta-feira mais silenciosa que o normal. Bernardo ia bem no futebol, mas também era dedicado nas aulas. Chegou a ser destacar na escola do Flamengo onde continuou os estudos.

Fonte: Jornal de Santa Catarina

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