Cachorro morre espancado e envenenado no Carrefour de Osasco

04/12/2018 15:53:00
Segundo relatos, cachorro teria sido espancado e envenenado por segurança da rede de hipermercados.

Um cachorro que vivia na rua foi espancado na filial de Osasco (região metropolitana da Grande São Paulo) dos hipermercados Carrefour, no dia 28/11/18. Integrantes de ONGs que defendem os direitos se manifestaram contra a violência. Revoltados, os participantes do ato público, no dia 03/12, denunciaram a atitude para os clientes da rede.

O cachorro teria sido espancado e envenenado por um segurança da rede. Ele teve as patas fraturadas e possivelmente em decorrência da hemorragia. O cão sem dono estaria procurando alimento nas lixeiras do hipermercado.

De acordo com relato de Isabela Marcelino, também ativista dos direitos dos animais, o cachorro estava rondando as imediações do Carrefour havia uma semana, em busca de comida. Aparentemente, tratava-se de um animal dócil, sem traços de violência, mas, mesmo assim, foi atacado pelo segurança, a pedido do superior do homem, que não teve ainda sua identidade revelada.

No Facebook, Isabela postou que o cachorro foi morto a pauladas, porque alguns diretores da rede iriam visitar a loja de Osasco e o segurança queria “fazer bonito”. As ordens para matar o animal surgiram “como se não fossem nada: mandaram eliminar o cão da pior forma possível”. O post já teve 22 mil visualizações.

O inquérito

Bruno Lima, delegado do Meio Ambiente do Estado de São Paulo e deputado estadual eleito pelo PSL, abriu um inquérito na Delegacia Especial de Osasco para apurar detalhes da agressão. Ele foi ao hipermercado e ouviu testemunhas da violência. Integrantes da ONG Bendita Adoção contaram que o cachorro foi recolhido pelo Centro de Controle de Zoonoses de Osasco, mas não resistiu aos ferimentos. Outras ONGS estão se manifestando através das redes sociais.

O vereador Ralfi Silva (Podemos), defensor dos direitos dos animais na Câmara Municipal de Osasco, afirmou que irá solicitar as imagens das câmeras de vigilância da Avenida dos Autonomistas e do estacionamento do hipermercado, para anexar ao inquérito. O prefeito da cidade, Rogério Lins, também do Podemos, disse que também irá acompanhar as investigações.

Ainda no Facebook, o delegado Bruno Lima, em contraposição, afirmou que a tentativa de responsabilizar o CCZ pela morte do animal agredido é um “comunicado ridículo”, uma vez que diversas testemunhas presenciaram a agressão e comprovaram o grau de violência empregado pelo segurança.

Também nas redes sociais, o vereador Ralpi Silva também defendeu o CCZ, em nota de repúdio e indignação ao comunicado do Carrefour. Silva postou um vídeo do momento em que os profissionais do CCZ atenderam o cachorro com “muito carinho durante o resgate”.

Nota do Carrefour

Em nota, o Carrefour afirmou que repudia qualquer forma de agressão aos animais e irá acompanhar o inquérito e está à disposição para esclarecer dúvidas. De acordo com o porta-voz do hipermercado, o cachorro foi encontrado ferido e imediatamente encaminhado para a Zoonoses.

A rede de hipermercados afirmou que o vira-lata morreu porque o CCZ foi acionado diversas vezes, mas demorou para providenciar o socorro necessário. No momento da abordagem dos profissionais de imobilização, o cachorro desfaleceu em razão do uso de um enforcador, um tipo de equipamento de contenção.

O que diz a prefeitura?

A Prefeitura de Osasco informou que o Departamento de Fauna e Bem-Estar foi acionado no dia 28 “para prestar socorro a um cachorro ferido e sangrando, possivelmente vítima de atropelamento”. Ainda de acordo com a nota, somente no sábado (1º.12) o departamento recebeu denúncias de que se tratava de um caso de maus tratos.

A Defesa Animal estadual, subordinada à Subsecretaria Estadual de Defesa dos Animais Domésticos (que, por sua vez, é subordinada à Chefia da Casa Militar), afirmou que a pena para maus tratos a animais é de encarceramento de três meses e um ano, além do pagamento de multa.

Fonte: Caes Online

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